"Ganhos importantes em aspectos críticos do desenvolvimento humano, como saúde e nutrição, podem ser rapidamente minados por tragédias naturais ou uma depressão econômica", diz o documento, intitulado Sustentar o Progresso Humano: Reduzir Vulnerabilidades e Construir Resiliência.
Entre as estratégias brasileiras elogiadas pela organização por supostamente ajudar a evitar o retrocesso nos ganhos de populações vulneráveis estão o programa Bolsa Família e as cotas para afrodescendentes em universidades federais.
O programa conhecido como orçamento participativo, adotado em Porto Alegre, também é elogiado. "Sistemas de resposta podem facilitar ajustes de curto prazo a eventos adversos de maneira a minimizar seus impactos de longo prazo. Tome o Bolsa Família, por exemplo (…): o impacto de um grande aumento nos preços dos alimentos após a crise financeira global de 2008 foi mitigado por transferências de renda maiores", diz o relatório, ressaltando, ainda, que o programa brasileiro estaria ligado a uma redução de 16% nos índices de extrema pobreza no país.
No documento, a ONU também exalta o impacto positivo de outros programas de transferência de renda, como o mexicano Oportunidades.
E defende um compromisso global em torno da provisão universal de serviços básicos como educação e saúde, da adoção de mecanismos de proteção social como aposentadoria e seguro desemprego e da implementação de políticas de pleno emprego.
Além disso, sem menção ao Brasil, o relatório elogia as políticas anticíclicas adotadas contra a crise de 2008.
Avanço brasileiro
O IDH é calculado com base em indicadores de educação, saúde e renda e permite a elaboração de um ranking de países. O índice vai de 0 a 1, sendo que quanto mais perto de 1, melhor a situação de desenvolvimento humano de determinado país.
Na lista deste ano, o Brasil subiu mais uma posição, ficando no 79º lugar entre os 187 países.
O país alcançou uma pontuação de 0,744 em 2013, contra 0,742 do ano anterior. E com isso, ficou a frente de quase todos os países dos BRICS – à exceção da Rússia – e acima da média latino-americana (0,740).
No ranking, porém, a posição brasileira ainda está abaixo de outros latino-americanos, como México (71º colocado), Chile (41º), Cuba (44º), Argentina (49º), Uruguai (50º), Panamá (65º) e Venezuela (67º).
A melhora no índice brasileiro reflete uma tendência de longo prazo dos componentes do IDH no país. Nas últimas três décadas, por exemplo, a expectativa de vida dos brasileiros cresceu 11,2 anos e a renda média subiu mais de 50%.
Os melhores colocados no IDH são Noruega (0,944), Austrália (0,933) e Suíça (0,917).
Os piores são Níger (0,337) e República Democrática do Congo (0,338).
O relatório deste ano se propõe a contribuir para a discussão da chamada "agenda pós-2015".
Em 2015, chega-se a data-limite para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – metas de desenvolvimento com as quais muitos países se compremeteram frente a ONU e cujo cumprimento deve ser avaliado.
Com isso, se abrirá espaço para o estabelecimento de novas metas nessa área.
"Erradicar a pobreza será um objetivo central da nova agenda", escreveu Helen Clark, do PNUD. "Mas se, como esse relatório (do IDH) aponta, as pessoas permanecerem sob o risco de voltar a ser pobres, em função de fatores estruturais e vulnerabilidades persistentes, o progresso do desenvolvimento será precário."





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